domingo, 28 de junho de 2009

as gaivotas voam livres

não há mais estradas a percorrer...








esboço de uma performance

Voar é um dos sonhos mais antigos do homem

Peter Pan morreu
Meu grandioso amém por um dos seres humanos mais formosos, cálidos, ternos...


Nas civilizações mais antigas vêem-se imagens de deuses, heróis e animais alados em gravuras ou nas esculturas dos templos.
A Grécia presenteia-nos com inúmeros personagens alados - Nikea (a deusa da vitória), ou o mais famoso mito sobre o voo, o de Ícaro, filho de Dédalo
Ícaro escapou do labirinto onde se encontrava preso graças às asas feitas e inventadas por seu pai

PETER PAN PARTIU... PARA SEMPRE

O calor dos raios derreteu as asas de cera e pôs fim à história...


No dia em que construí a minha máscara funerária

sábado, 27 de junho de 2009


Em jeito de Parabéns

Há um corredor de palavras vazias,
que nem com a força da impressão sobre o papel
conseguem conquistar algum sentido.

Exibem-se,
vaidosas e emproadas,
com uma opacidade própria

tão desabitada
tão desabitada
tão desabitada

e

ocupam tanto espaço que revolvo o tempo
a abrir fendas

(fenda)

nas entrelinhas

(fenda-se)

nas intertextualidades

(fonda-se)

para as palavras amplas de genuinidade

que

tu, tu, tu, tu, tu e todos os teus tus
merecem.

Palavras que autentiquem
e autentoquem
páginas despojadas e
despidas
para o pulsar da imaginação.

Porque as tuas palavras
Discorrem fugazmente sem fixar-se.
Só assim se explica que deslumbrem
Como relâmpagos

................... suaves,
............................. delicados,
............................................ elásticos,
......................................................... ternos,
................................................................... compactos

E como os meus olhos
descem por esta escadaria poética
sem se atreverem a penetrar,

Sente estas palavras como um sorriso de passionalidade explosiva
que soletra docilmente:

“Parabéns”.



Bruno Vilão



Ricardo Mestre

segunda-feira, 22 de junho de 2009


as
lágrimas de anjo
são vermelhas

é do tempo
dizem uns

roxas sobre os travesseiros
dizem outros

com um sorriso dentro das algibeiras
e
aos saltos
os vídeos da alfarroba - almeida e sousa e os d'idgin

domingo, 21 de junho de 2009


pressentem-se, olham-se, desejam-se
e
acariciam-se, beijam-se, despem-se

respiram, deitam, cheiram
e
se
se penetram, se chupam, se viram

adormecem e, logo despertam
porque
se iluminam

acariciam-se, apalpam-se

porque

fascinados

mordem-se, gostam-se, lambem-se
para
se confundirem, se acoplarem, se desagregarem

só depois
se altearão ....................... falecem então
e
se reintegram

distendem-se, retocam-se, estiram-se
para
se estrangularem
para
se apertarem
e
....................................................................
...................................................................
...................................................................
estremecerem


talvez tenham até tempo para
se tactearem, se juntarem, se matarem
se rasgarem, se enervarem, se apetecerem

um dia virá
e
se acometerão, se entrechocarão, se acachaparão, se apresarão, se deslocarão
para
se perfurarem, se incrustarem, se equilibrarem

depois, já no divã
se contemplam, se inflamam, se derretem
e
enlouquecem

e

se entregam - definitivamente
alguns conselhos aos jovens poetas:

evitem a poesia como forma de chantagem: é muito perigoso. a vítima pode contra-atacar com leituras das suas tragédias incompletas

tão pouco deverão escrever poemas necrológicos em retretes públicas. nesses locais os leitores preocupam-se muito com a liberdade



poemas taurinos, podem provocar manifestações (politicamente correctas)

e os poemas para crianças, podem matar o autor e as crianças

domingo, 14 de junho de 2009


lembro (muitas vezes)

o teu olhar
............. a meu lado
caminhava

como se tivesse pés
como se tivesse pés
como se tivesse pés
como se tivesse pés
como se tivesse pés
como se tivesse pés


nus
e...
os desenhos





sábado, 13 de junho de 2009



Navego, alego, relego, renego..........-me
Alerto, aperto, acerto, conserto...........-me
Colho, recolho, acolho, encolho..................-me
Desloco, reboco, retoco, desfoco.....................-me
Rumo, arrumo, assumo, sumo.............................-me
Acendo, ascendo, defendo, fendo...................-me
Repouso, removo, demovo, comovo..........-me
Cedo, acedo, sucedo, concedo...................-me
Remendo, emendo, desvendo, distendo.............-me
Imagino, refino, afino, mino..........................-me
Acorro, socorro, recorro, discorro.........................-me
Arranho, assanho, entranho, estranho.....................-me
Refreio, anseio, leio, enleio.......................................-me
Avanço, alcanço, descanso, amanso................-me
Caminho, sublinho, alinho, definho............-me
Convoco, sufoco, enfoco, desfoco..........-me
Combato, abato, rebato, desato.................-me
Descaio, desmaio, distraio, ensaio...................-me
Apelo, flagelo, revelo, atropelo..............................-me
Aviso, suavizo, deslizo, escravizo...............................-me
Esqueço, padeço, aqueço, enlouqueço..................-me
Resolvo, absolvo, devolvo, revolvo.................-me

poema do bruno vilão roubado e pirateado de palavras lacradas

vê o que desejas
e
depois derrete-te como relógios

todos
somos anúncios de detergentes
.....................................................com pernas...

quinta-feira, 11 de junho de 2009


anda placidamente entre ruídos
e
recorda a paz que se pode encontrar no silêncio
(enquanto te é possível)

vive na tua aldeia
e
sonha com roma

anuncia a verdade
e
não escutes ninguém

podes abrir excepções aos loucos
eles têm as suas histórias escritas na pele
da ArteserieS - performance de mandrágora em faro - no passado dia 6 de junho. com gonçalo mattos e manuel almeida e sousa




mário cesariny e manuel almeida e sousa na estreia de um espectáculo de mandrágora


Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco

Mário Cesariny




o corpo.
o corpo todo desde as unhas dos pés aos cabelos...
o corpo voz
o corpo grito
o corpo acção
o corpo
enfim, nu é o objecto/ferramenta de trabalho para afinar - em segurança - a acção em que nos envolvemos.
esse corpo total - sem tabus - é uma arma. um templo.
conhecê-lo é entender(mo-nos)... é saber que podemos exteriorizar o ódio e o amor, a raiva... que podemos correr e caminhar numa lentidão desesperante, que podemos gritar e que podemos balbuciar, que podemos acariciar e podemos bater...
que, enfim, somos. e, enquanto somos podemos ainda sair com o nosso corpo para viagens - outras, onde as fronteiras se diluem.
vestir e despir o corpo é o primeiro exercício.

o performer (no rito) é um mago que terá de manipular o todo para cativar os seus "fiéis" e, enquanto mago terá de saber libertar-se das máscaras que o cobrem - voltar-se para os "deuses".
o ritual permite a regressão.
e
o actor será dono do seu corpo, porque o conhece. porque domina a sua linguagem.
..


quarta-feira, 10 de junho de 2009


os lírios murcharam
os ramos caminham como sussurros
e
o firmamento

é o tecto de todos os dias


depois desta acção de mandrágora em arteseries (faro)... aconteceu arteseries 2. desta vez uma acção performativa de gonçalo mattos com base na poesia de mario cesariny de vasconcelos.

a imagem do crime está para breve.