
Em jeito de Parabéns
Há um corredor de palavras vazias,
que nem com a força da impressão sobre o papel
conseguem conquistar algum sentido.
Exibem-se,
vaidosas e emproadas,
com uma opacidade própria
tão desabitada
tão desabitada
tão desabitada
e
ocupam tanto espaço que revolvo o tempo
a abrir fendas
(fenda)
nas entrelinhas
(fenda-se)
nas intertextualidades
(fonda-se)
para as palavras amplas de genuinidade
que
tu, tu, tu, tu, tu e todos os teus tus
merecem.
Palavras que autentiquem
e autentoquem
páginas despojadas e
despidas
para o pulsar da imaginação.
Porque as tuas palavras
Discorrem fugazmente sem fixar-se.
Só assim se explica que deslumbrem
Como relâmpagos
................... suaves,
............................. delicados,
............................................ elásticos,
......................................................... ternos,
................................................................... compactos
E como os meus olhos
descem por esta escadaria poética
sem se atreverem a penetrar,
Sente estas palavras como um sorriso de passionalidade explosiva
que soletra docilmente:
“Parabéns”.
Bruno Vilão

Ricardo Mestre
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