sábado, 27 de junho de 2009


Em jeito de Parabéns

Há um corredor de palavras vazias,
que nem com a força da impressão sobre o papel
conseguem conquistar algum sentido.

Exibem-se,
vaidosas e emproadas,
com uma opacidade própria

tão desabitada
tão desabitada
tão desabitada

e

ocupam tanto espaço que revolvo o tempo
a abrir fendas

(fenda)

nas entrelinhas

(fenda-se)

nas intertextualidades

(fonda-se)

para as palavras amplas de genuinidade

que

tu, tu, tu, tu, tu e todos os teus tus
merecem.

Palavras que autentiquem
e autentoquem
páginas despojadas e
despidas
para o pulsar da imaginação.

Porque as tuas palavras
Discorrem fugazmente sem fixar-se.
Só assim se explica que deslumbrem
Como relâmpagos

................... suaves,
............................. delicados,
............................................ elásticos,
......................................................... ternos,
................................................................... compactos

E como os meus olhos
descem por esta escadaria poética
sem se atreverem a penetrar,

Sente estas palavras como um sorriso de passionalidade explosiva
que soletra docilmente:

“Parabéns”.



Bruno Vilão



Ricardo Mestre

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